Icterus Ecoturismo Descobre Segundo Ninho de Harpia em Corumbá e Revela Possível Filhote para 2026
Monitoramento pioneiro conduzido pela empresa confirma reprodução da maior águia das Américas na região do Maciço do Urucum, ampliando conhecimento sobre a espécie fora de seus habitats tradicionais
Uma descoberta que começou com uma simples pena em 2023 se transformou em um dos mais importantes registros de reprodução de harpia (Harpia harpyja) no Mato Grosso do Sul. A Icterus Ecoturismo, empresa especializada em observação de aves e vida selvagem no Pantanal, lidera hoje o monitoramento da espécie em Corumbá, tendo localizado dois ninhos na região do Maciço do Urucum.
O segundo ninho foi descoberto no dia 15 de novembro de 2025, desta vez com o casal de harpias presente e estabelecido permanentemente no local. A novidade ganha ainda mais relevância com o registro feito em 23 de novembro, quando a equipe observou a fêmea aparentemente em período de incubação. Se confirmado, um filhote de harpia deve nascer no início de 2026, marcando um capítulo inédito na história natural da região.
Uma busca que começou com indícios
O primeiro ninho havia sido encontrado pela Icterus em 12 de julho de 2025, mas intrigava a equipe pela forma como o casal se comportava. “Registramos o casal duas vezes naquele ninho. Eles chegavam com galhos e folhas verdes, arrumavam o local, às vezes acasalavam, mas não permaneciam por ali”, conta a equipe da empresa. “Isso nos deixou inquietos. Continuamos buscando, fazendo trilhas, conversando com moradores e trabalhadores locais, até que tudo fez sentido.”
A literatura científica já documentou que casais de harpia podem manter um ninho principal e outros ninhos reserva, realizando manutenção periódica em todos eles. A proximidade entre os dois ninhos encontrados sugere que ambos pertencem ao mesmo casal – hipótese que será confirmada em breve através do monitoramento com câmeras instaladas pela Icterus na área, com o apoio fundamental do Instituto Homem Pantaneiro, que cedeu equipamentos para viabilizar o acompanhamento contínuo dos ninhos.
Da pena ao ninho: uma história de persistência

Tudo começou quando a bióloga Tiany Duran encontrou uma pena na região do Maciço do Urucum em 2023. A confirmação de que se tratava de uma pena de harpia acendeu um alerta: a espécie, considerada não residente na região, poderia estar estabelecida por ali.
Em maio de 2024, a bióloga Yasmin Pereira, da empresa Sauá Consultoria, fez o primeiro registro visual direto do casal durante trabalhos de monitoramento de primatas. O avistamento mobilizou pesquisadores e entusiastas. A Icterus passou a visitar a área regularmente com uma equipe de biólogos, e em julho de 2024, graças novamente à persistência de Tiany, veio o primeiro avistamento pela empresa.
A partir daquele momento, formou-se uma força-tarefa envolvendo a Icterus, a Sauá Consultoria e o Projeto Harpia para monitorar a espécie e entender sua ocorrência em um ambiente tão diferente dos habitats tradicionais da Mata Atlântica e Amazônia.
Turismo como ferramenta de conservação

Diante dos desafios naturais de financiamento para pesquisas de campo, a Icterus encontrou no ecoturismo uma solução criativa e sustentável. A empresa passou a incluir a região do Maciço do Urucum em seus roteiros de observação de aves, criando uma experiência única para visitantes e, ao mesmo tempo, gerando recursos para manter o monitoramento ativo.
Hoje, a Icterus conduz o acompanhamento de forma independente, utilizando a receita do turismo de observação para custear equipamentos essenciais – como um drone para localização de ninhos – e manter a vigilância constante sobre as harpias. A parceria com o Instituto Homem Pantaneiro, que cedeu câmeras trap para o monitoramento, fortalece ainda mais esse trabalho, demonstrando como a união de diferentes atores pode potencializar a conservação.
O modelo demonstra como a observação de aves responsável pode se tornar uma aliada poderosa da conservação, transformando o interesse de visitantes em ações concretas de proteção à biodiversidade.
Além das harpias, a região oferece oportunidades de avistar outras espécies de aves de rapina igualmente impressionantes, como a águia-de-penacho (Spizaetus ornatus), o urubu-rei (Sarcoramphus papa) e o gavião-de-cauda-curta (Buteo brachyurus), entre muitas outras.
Um filhote a caminho

Com o período de incubação da harpia durando cerca de 52 dias, a expectativa é que o filhote nasça no início de 2026. Será um acontecimento significativo não apenas para Corumbá, mas para a compreensão da distribuição e adaptação da espécie em diferentes ecossistemas.
A maior águia das Américas, com envergadura que pode ultrapassar dois metros, enfrenta ameaças crescentes em toda sua área de ocorrência, principalmente pela perda de habitat. Por isso, cada ninho monitorado e cada filhote nascido representa uma vitória para a conservação.
O trabalho da Icterus Ecoturismo mostra que a dedicação ao monitoramento de fauna, aliada a uma visão de turismo sustentável e educativo, pode gerar conhecimento científico valioso enquanto promove a conexão das pessoas com a natureza. Agora, resta acompanhar os próximos capítulos dessa história – que promete começar 2026 com uma novidade cheia de penas e garras afiadas no céu de Corumbá.
A Icterus Ecoturismo realiza roteiros de observação de aves e vida selvagem no Pantanal e Bonito, com foco em experiências éticas, sustentáveis e imersivas na natureza. O monitoramento das harpias em Corumbá é parte do compromisso da empresa com a conservação e o conhecimento da biodiversidade regional.
